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Petrobras acumula perdas com acionamento de usinas térmicas

A operação plena das termelétricas para garantir a segurança do abastecimento do sistema brasileiro, enquanto os reservatórios hidrelétricos estão em níveis críticos, está gerando um prejuízo da ordem de R$ 240 milhões por mês à Petrobras. O cálculo é da consultoria Gas Energy, com base no volume e no preço de gás natural liquefeito (GNL) importado pela estatal para complementar a oferta do insumo para as usinas brasileiras.

Segundo a consultoria, a Petrobras é remunerada em US$ 12 por milhão de BTU (unidade térmica de referência no setor) pela operação das termelétricas. O preço do GNL no mercado de curto prazo hoje, porém, é da ordem de US$ 18 por milhão de BTU, o que gera um prejuízo de US$ 6 por milhão de BTU.

A conta considera a capacidade total de importação dos dois terminais de regaseificação do país, em Pecém (CE) e Baía de Guanabara (RJ), de 21 milhões de m3 /dia, o suficiente para a produção de aproximadamente 4 mil megawatts (MW) de energia termelétrica. Para cada 1 mil MW, a Gas Energy estima um prejuízo de R$ 60 milhões.

Segundo o presidente do conselho de administração da consultoria, Marco Tavares, o preço elevado do GNL no mercado de curto prazo internacional se deve ao aumento da demanda pelo energético durante o inverno no Hemisfério Norte. E a situação não deverá mudar nos próximos meses, já que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) pretende manter todas as térmicas operando até encher os reservatórios, e o inverno tende a ficar mais severo no hemisfério Norte.

Mas não é só o preço alto do GNL que preocupa a Petrobras e o governo. Segundo Tavares, a estatal está encontrando dificuldades em comprar cargas de GNL por conta da demanda aquecida. "A Petrobras optou por não ter contrato de longo prazo de importação de GNL. Então ela fica no mercado spot, sujeita ao risco de não ter carga de gás", disse.

Na semana passada, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) enviou comunicado aos seus 10 mil associados alertando sobre o risco de desabastecimento de gás natural e energia elétrica no início de 2013. A instituição teme que a Petrobras desloque a oferta de gás das indústrias para as térmicas. O Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) também indicou o problema.

A Petrobras, no entanto, descarta qualquer risco de desabastecimento de gás. A companhia informou, em nota, que "está cumprindo rigorosamente os seus compromissos de suprimento de gás natural aos mercados por ela atendidos e não há qualquer risco de desabastecimento aos seus clientes".

Segundo uma fonte do setor, a operação contínua de todas as termelétricas do país fez com que o consumo de gás natural em novembro chegasse a 97 milhões de m3 /dia, próximo da capacidade instalada do país, de 102 m3 /dia. Ela acrescentou que, por esse motivo, a Petrobras cancelou os leilões de venda de sobras de gás natural para as distribuidoras.

A Gas Energy elaborou um plano, com dez medidas, para ampliar o mercado brasileiro de gás natural, da média atual de 80 milhões de m3 /dia para 200 milhões de m3 /dia, em 2020. Entre as ações estão a abertura do mercado de gás, hoje dominado pela Petrobras, e o livre acesso aos gasodutos. "O Brasil tem um problema estrutural de oferta de gás natural", afirmou Tavares.

De acordo com o ONS, todas as termelétricas disponíveis (a óleo combustível, diesel e gás natural) estão produzindo hoje 14,2 mil MW médios, o equivalente a quase 30% de todo o consumo do país. Desse total, 3,7 mil MW médios são para garantia da segurança do abastecimento. Os reservatórios hidrelétricos do subsistema Sudeste/Centro-Oeste, que concentram 70% da capacidade de estoque do país, estão com nível de armazenamento de apenas 29,5%, o que representa uma queda acumulada de 2,4% em dezembro. O montante é apenas 2,1% superior à curva de aversão ao risco, indicador que garante o atendimento pleno da demanda do país.
Valor Econômico




 
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